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Conversas Sobre Uma Nova Vida 13 - Parte 2

Nem Tudo que Tem Gosto Amargo é Impróprio para Uso

Se dermos uma olhada em nossa própria história, podemos ver que estamos nos desenvolvendo continuamente. Enquanto os níveis vegetativo e animado da natureza dificilmente mudam ao longo dos séculos, nós nos desenvolvemos a cada sucessão das gerações e até mesmo durante o breve período de uma única geração.

Eu, por exemplo, comecei a vida na primeira metade do século passado e com a transição para o século 21, vejo como o mundo mudou. Naquela época, as pessoas estavam ligadas a aldeias, comunidades rurais e pequenas cidades com seus modos de vida estabelecidos, enquanto hoje tudo é dinâmico, tudo é diferente: modos de pensar, abordagens à vida e assim por diante.

Surge, portanto, uma questão: não é suficiente nascermos e vivermos nossa vida de ano para ano? Por que precisamos mudar? É óbvio que um bebê recém-nascido precisa crescer para começar a ter uma vida adulta significativa, começar uma família, ter filhos e passar suas aquisições para eles, para que eles continuem seu caminho. Mas por que as pessoas precisam de algum desenvolvimento adicional, além da cadeia de gerações inerente ao mundo animal? De onde vem essa oposição? Qual é o objetivo do desenvolvimento humano? Isto é algo que não vemos. 

Ainda assim, podemos fazer uma analogia com um bebê que ainda não está pronto para a vida. Um longo desenvolvimento é necessário para uma criança, a fim de adquirir razão, força e sentimento até que ela realmente aprenda a entender a vida, a organizá-la e a alterá-la. Talvez seja a mesma história com a gente? Talvez os milhares de anos de nosso desenvolvimento sejam comparáveis à vida de uma pessoa? Talvez todo século da história humana seja como um ano para uma criança?

No entanto, ainda não vemos para onde estamos indo. O desenvolvimento de uma criança continua em um caminho bem trilhado e sabemos como garantir a ela todos os meios necessários, incluindo exercícios, jogos e um ambiente especializado. E, todavia, o objetivo do desenvolvimento humano universal é desconhecido para nós, e é por isso que não percebemos o progresso das gerações. Parece-nos que esse progresso é aleatório.

Como alguns pais sem conhecimento, nós estamos olhando para o bebê e não entendemos de onde ele veio e para quê. Nós não temos nenhuma ideia sobre como educá-lo, quais exercícios dar à ele, ou em que ambiente colocá-lo. Como resultado, nosso pequeno trilhará através de uma trilha espinhosa, sem os desejos naturais necessários que o empurrariam para um verdadeiro caminho.

Com nossos próprios filhos, nós lhes damos conhecimento, incutimos sentimentos, ensinamos a eles leitura e escrita, música e desenho. Eles vivem em um mundo artificial em comparação com o mundo externo dos adultos parece uma pradaria a cultivar.

Mas onde estão os pais e educadores carinhosos de toda a humanidade? Eles estão ausentes, e é por isso que toda geração, apesar de todo o progresso, é mais infeliz que a anterior – lhe falta mais. Por um lado, alcançamos cada vez mais, enquanto, por outro, nos tornamos cada vez mais vazios.

Então, a que exatamente chegamos hoje? O que nós conseguimos? O que todo o nosso desenvolvimento nos deu? Nós fomos ao espaço, caminhamos na Lua, mas este tópico não é especialmente popular nos dias de hoje, é banal e superficial. Conseguimos resultados impressionantes aqui na Terra, mas ainda não encontramos felicidade, ainda não descobrimos como organizar nossas vidas.

A crise global está aumentando, as famílias estão em colapso, ambos pais e as crianças estão sofrendo, a sociedade está sofrendo, os vícios de drogas estão prosperando, o terrorismo troveja e a depressão está se tornando a doença mais disseminada. Onde está a alegria? Onde está o bom humor?

Acontece que a humanidade não tem pais bondosos para nos cercar de preocupação e nos educar corretamente.

Enquanto isso, vemos que a natureza zelosamente se preocupa com o desenvolvimento correto de cada uma de suas partes. Quando nos tornamos pais, experimentamos amor incomensurável por nossos filhos, queremos dar-lhes apenas o melhor absoluto, dedicamos toda a nossa vida a eles. Os melhores especialistas, os enormes recursos e as principais tecnologias são colocados a serviço das crianças e de seu desenvolvimento.

E apesar de tudo isto, nós não estamos alcançando o sucesso, embora a natureza nos forneça todos os meios necessários. Deu-nos amor sem o qual nos manteríamos indiferentes aos nossos filhos. Da mesma maneira, os animais também amam suas crias.

Em última análise, torna-se evidente que a natureza, ao cuidar do desenvolvimento de todas as criaturas, demonstra para elas uma atitude bastante peculiar. Por um lado, cria condições seguras para o crescimento correto, induzindo nos pais esse amor instintivo pelas crianças. Como resultado, nós não temos outra opção, somos simplesmente obrigados a cuidar delas. Mas, por outro lado, vemos que a espécie humana falha em alcançar algum sucesso.

Uma fruta em uma árvore nasce amarga e pouco atraente, mas no final ela amadurece e aparece em toda a sua glória, suculenta e perfumada. E se fossemos semelhantes a esta fruta? E se, no momento, estamos passando por estágios transitórios de desenvolvimento e ainda não estamos amadurecidos? É possível que nosso estado atual seja semelhante a uma maçã azeda, dura e imatura que ainda não adquiriu todas as cores? Sem saber antecipadamente, como se pode prever o final feliz do seu desenvolvimento?

De forma semelhante, olhando para uma criança ainda sem consciência que ainda tem muito a crescer, é difícil imaginar que um dia ela se juntará a  uma vida adulta, agindo de forma independente e aprendendo coisas novas, mudando o mundo. Em contraste, um animal dificilmente se desenvolve além das poucas semanas após seu nascimento. Agindo por instinto, não muda a si mesmo nem o mundo.

Portanto as seguintes conclusões podem ser tiradas. Primeiro de tudo, nosso desenvolvimento ocorre em fases. Além do mais, quanto mais “azeda” a criação estiver no começo, mais “doce” será no final. E quanto mais a criação se desenvolve, por mais estados ela passa, mais magnífico é o final de seu desenvolvimento, e mais exaltadas são suas realizações.

Ao coletar todos esses exemplos que a natureza está nos mostrando, tudo em uma única imagem, podemos concluir que estamos indo por um caminho de desenvolvimento particular. De geração em geração, estamos nos desenvolvendo como um ser que ainda não completou as fases de transição. É por isso que somos tão “amargos”, tão malsucedidos. No entanto, no final do nosso desenvolvimento, um estado maravilhoso e perfeito, sem dúvida, nos espera.

Nós vemos que a espécie humana domina sobre o mundo vegetativo e animal. Um ser humano é a coroa da criação. É por isto que o desenvolvimento do homem leva mais tempo. É por isto que ele passa pelos estágios mais extremos no caminho, que aparentemente não se relacionam com a mesma espécie.

E tanto quanto à natureza que nos desenvolve é preocupada, nós podemos tirar conclusões sobre nós mesmos e a relação da natureza conosco apenas quando veremos o fim do desenvolvimento. Caso contrário, erraríamos como com a maçã, cujos estágios iniciais de maturação parecem não prometer nada de útil. Somente no final vemos com que sabedoria a natureza nos nutriu, formando um fruto maravilhoso e delicioso.

De acordo com esta lei, precisamos reconhecer que nós também estamos passando por um desenvolvimento similar, e seu objetivo é, sem dúvida, nos trazer no final das gerações para uma espécie de estado gentil, maravilhoso, saudável, absoluto, “doce” e belo. 

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Surge, portanto, uma questão: não é suficiente nascermos e vivermos nossas vidas de ano para ano? Por que precisamos mudar?